Marilyn
Ferguson - (A Conspiração Aquariana)
Koplowitz
postula que em determinado estágio, descobrimos nosso próprio
condicionamento. Compreendemos que a maneira como compreendemos
o mundo exterior é apenas uma das muitas composições
possíveis.
"Opostos,
tidos como separados e distintos, são vistos como interdependentes
. A casualidade, geralmente concebida como linear, é vista
agora como se interpondo no Universo, ligando todos os eventos
uns aos outros" .
Não
há dualismo, nem separação entre mente e
corpo, entre eu e os outros.
Browning
sugeriu que imaginássemos um sistema chamado "sono".
O reino existente além desse sistema é chamado de
"desperto".
"Dentro
do sono podemos ter um sinal representando desperto, podemos ter
a palavra desperto, podemos ter símbolos e imagens, tudo,
exceto realmente estar desperto. Podemos sonhar estar despertos,
mas não podemos, dentro do sistema, despertar de fato".
O
conhecimento direto nos leva para fora do sistema. É o
despertar. Ele altera nossas experiências, porque modifica
nossa visão.
Jung
,por exemplo, a perspectiva transpessoal, a que ele chamou de
"a elevação do nível da consciência",
capacitou alguns indivíduos a dominar problemas que destruíram
outros indivíduos.
"Alguns
interesses mais altos ou mais amplos surgem no horizonte da pessoa
através desse alargamento da sua visão, o problema
insolúvel perde a sua importância. Ele é resolvido
logicamente dentro de seus próprios termos, mais é
obscurecido por uma nova e mais forte tendência de vida.
Ele não foi reprimido e tornado inconsciente, mas meramente
apareceu sob diferente luz".
Karl Pibram, disse,
"Levará algum tempo para que pessoas sintam-se bem
ante a idéia de que há uma outra ordem de realidade
que não o mundo das aparências "
As
descobertas da ciência , porém , têm começado
a dar sentido às experiências místicas que
vêm sendo descritas há milênios. Elas sugerem
que podemos penetrar nessa ordem de realidade que fica além
do mundo das aparências.
Reshd
Feild, "De repente compreendi que realmente é
necessário procurar fazer a pergunta; em vez de provocar
o afastamento da resposta por correr atrás dela , deve-se
perguntar e escutar ao mesmo tempo. . .
naquele
momento, eu sabia que estava sendo ouvido, que estava me dissolvendo
e me transformando em alimento para o grande processo de transformação
que estava ocorrendo no Universo. . .
Ao
mesmo tempo que estava morrendo, eu estava nascendo. . .
"
Nas religiões ocidentais, os assuntos são por costume
admitidos como sendo resolvidos através da fé, mas
um mestre na tradições do conhecimento direto encoraja
perguntas e até mesmo dúvidas. A espiritualidade
solicita de quem busca que se desfaça das crenças,
não que lhes acrescente coisas.
William
James, na tradição espiritual emergente , Deus
não é o personagem do catecismo;
"Os
limites mais avançados de nosso ser mergulham, ao que me
parece, em uma outra dimensão de existência completamente
diferente do mundo sensível e meramente compreensível.
. .
Nós
pertencemos a ele em um sentido mais íntimo do que aquele
em que pertencemos ao mundo visível, pois pertencemos,
no sentido mais íntimo, ao que quer que pertençam
nossos ideais. . .
Darei
essa parte mais elevada do Universo o nome de Deus"
Assim
como a ciência demonstra uma trama de relacionamento subjacente
a tudo que existe no Universo, uma fulgurante rede de eventos,
assim também a experiência mística de integralidade
abrange toda a separação.
Um
mestre hassídico disse :
"No
espaço livre não há direita e nem esquerda.
. . Todos os espíritos são um só. Cada um
é uma centelha emanada do espírito original e este
espírito é uma constante em todos os espíritos"
O
budismo afirma que todos os seres humanos são Budas, mas
nem todos despertam para sua verdadeira natureza. A iluminação
plena é um voto para salvar "todos os seres conscientes".
Esta
integralidade abrange o eu, os outros, as idéias. O amor
é compreendido como um estado dinâmico da consciência,
e não uma emoção.
Assim
como o medo é coercitivo e caótico, o amor é
amplo e coerente, um fluxo criativo, a harmonia, a aceitação
da fragilidade humana embebida no autoconhecimento profundo. É
um poder indefensável , a comunicação, a
ausência de limites, o encerramento. Você está
ligado a um grande Eu :
Tat
vam assi, "Tu és Aquilo" .
E
como o Eu é inclusivo, você estará ligado
a todos os outros.
De
acordo com a visão mística de William Blake:
Desperta!.
. . Desperta ó criatura adormecida da terra das sombras.
. . desperta !. . . . .Desdobra-te !. . . Eu estou em ti e tu
estás em mim, recíprocos no amor. . . Fibras de
amor de homem para homem. . . Vê ! Nós somos Um.
"Deixemos
que a luz penetre na escuridão até que a escuridão
fique iluminada e não mais exista qualquer divisão
entre as duas", lê-se em uma passagem hassídica.
Antes
de o espírito chegar ao mundo, ele é conduzido através
de todos os mundos e lhe é mostrada a luz primeira, de
modo que ele possa, para sempre, ansiar alcança-la.
O
tsadik na tradição hassídica, como
o bodhisattva do Budismo, permitiu que a luz entrasse nele
e daí voltasse a brilhar novamente.
O
sonho de luz e de liberação é poeticamente
expresso no contemporâneo apócrifo Evangelho Aquariano
de Jesus Cristo . Durante muito tempo, diz ele:
"nossos
templos têm sido as tumbas das coisas escondidas do tempo.
Nossos templos, criptas e cavernas são escuros. Não
temos conseguido ver modelos"
À
luz não há coisas secretas
.
. . Não hà peregrinos solitários no caminho
da luz. Os homens somente galgam as alturas ao ajudar os outros
a galgarem as alturas. . .
"Nós
sabemos que a luz está chegando ao cume dos montes. Deus
apressa a luz."
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