Aldous
Huxley - A Filosofia Perene ( por John White)
A
Filosofia Perene ocupa-se primordialmente da Realidade divina,
una e substancial do mundo múltiplo das coisas, das vidas
e das mentes. Mas a natureza dessa Realidade una é tal,
que só pode ser aprendida direta e imediatamente por aqueles
que decidiram preencher certas condições, tornando-se
amorosos e puros de coração.
"Eu
vivo e, entretanto, não sou eu quem vive mas Cristo que
vive em mim", ou talvez fosse mais exato usar o verbo transitivamente
e dizer ; "Eu vivo e, entretanto não sou eu quem vive
; pois é o Logos que me vive", vive-me como um ator
vive o seu papel. Nesse caso, é claro, o ator é
sempre infinitamente superior ao papel. No que concerne à
vida real, não existem personagens shakespearianos .
Por não sabermos quem somos, por não termos consciência
de que o Reino dos Céus está dentro de nós,
procedemos de maneiras geralmente tolas, não raro insensatas,
às vezes criminosas e tão caracteristicamente humanas.
Somos
salvos, libertados e iluminados ao perceber o bem, até
então despercebido, que já existe dentro de nós,
retornando ao nosso Fundamento eterno e permanecendo onde sempre
estivemos sem o saber.
Platão
fala a mesma coisa ao afirmar, na República , que "a
virtude da sabedoria, mais do que qualquer outra coisa, contém
um elemento divino que sempre subsiste". E no Teéteto
e ressalta a idéia, tão frequentemente repetida
pelos que praticam a religião espiritualista, de que só
nos tornando divinos podemos conhecer Deus, e tornar-mos divinos
é identificar-nos com o elemento divino que, na verdade,
constitui nossa natureza fundamental, mas do qual, em nossa ignorância
quase sempre voluntária, preferimos permanecer inconscientes.
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