Conversando
Sobre o UCEM
Uma
excursão em um sistema espiritual expresso no Livro "Um Curso Em
Milagres" que foi "ditado" à uma psicóloga atéia por uma intensiva
"voz interior" por um período de oito anos.
Em
última instância, todos os sistemas espirituais dizem a mesma coisa:
os seres humanos não são os seus corpos. O Universo físico como
o percebemos não é real. O ódio é uma ilusão; o amor é a resposta...
Por Brian Van der Horst
Um Curso em Milagres difere de todas as abordagens que estudei
na minha busca, pois sua meta é manter a bola em jogo. Jogar significa
participar, e para realmente estar no jogo, você precisa sentir
que realmente faz parte dele. É isso o que o Curso representa
para mim: um treinamento que não só lhe fala de religião, mas lhe
faz vivenciar a religião. E isso significa todas aquelas coisas
que você está cansado de saber. Mas vamos supor que você descubra
que elas realmente funcionam.
Um Curso em Milagres é um dos maiores fenômenos já observados
na elevação da consciência levando em conta as duas últimas décadas.
Contam-se aos milhares seus seguidores.
Desde 1976 o material completo do Curso (livro texto, livro de exercícios,
e manual de professores) espalhou-se por todos os estados da América
além de vários outros países do mundo. Fundam-se cada vez mais grupos
de estudos para meditarem e estudarem as lições do Curso. Nada mal
para um material ditado de maneira tão estranha como essa de "ditado
interno".
Entre o mês de outubro de 1965 e 1975, o livro hoje disponível com
o nome de Um Curso em Milagres, juntamente com um comentário
sobre a natureza da psicoterapia mais uma série de poemas foram
gravados pela Dra. Helen Schucman, uma pesquisadora no campo da
psicologia que trabalhava num grande hospital de uma universidade
do Ocidente, o qual fora inesperadamente abordado por uma "Voz"
interna. O trabalho não poderia ter sido realizado sem o apoio de
seu chefe, professor de psicologia daquele departamento, o Dr. William
Thetford. Na verdade, conforme seus relatos, o Curso surgiu e foi
"enviado" primeiramente como resposta à perguntas relativas à miríades
de problemas pessoais e profissionais entre os dois.
Estas duas pessoas demonstravam bastante desconforto perante o papel
que deles se esperavam, no que diz respeito a demonstrar os ensinamentos
do Curso. Certamente são os profetas em potencial mais acanhados
que já conheci. Levando em conta o conteúdo altamente filosófico
e psicológico do Curso, era absolutamente apropriado que ambos fossem
clínicos e professores. Além do mais, a lógica básica do Curso aumentou
sua aceitação do que eles mesmos vinham fazendo.
A Dra. Helen era uma mulher atraente, fina, nascida em uma família
intelectualizada de judeus não praticantes. Ao tempo da publicação
do Curso, era já uma autoridade reconhecida em psicologia clínica
com inúmeros trabalhos publicados. O Dr. William, profundo conhecedor
das religiões - conhecimento aliás adquirido por influência do Curso,
era igualmente considerado por sua especialidade. Contudo, apesar
das revelações maravilhosas que vinham recebendo, e da conseqüente
mudança em suas vidas, sempre preferiam se manter no anonimato -
em parte por suas relações profissionais, mas principalmente para
agilizar suas funções como receptores do Curso.
Foi seu desconforto com o Curso, sua indignação para com o que vinham
guardando por cerca de dez anos foi que me convenceu da veracidade
de sua incrível história.
Estimulados por outro terapeuta, o Dr. Kenneth Wapnick, que a eles
se uniu após a "recepção" do Curso, juntos trabalharam sobre o material
e finalmente conheceram a Senhora Judith Skutch que levou à publicação
do material pela primeira vez. Trezentos volumes do Curso foram
levados a público - a principio como fotocópias do trabalho original
- em Junho de 1975, e começaram a circular. A procura começou a
crescer e em Junho de 1976 sob a égide da Fundação Para a Paz Interior
- uma organização sem fins lucrativos uma nova edição de 5.000 volumes
veio a público.
O Curso começou a popularizar-se primeiramente entre os amigos e
colegas de trabalho de Judith. Seu entusiasmo por aquilo que havia
descoberto juntamente com sua confiança na veracidade de tudo aquilo
era contagiosa, e começou a ser também para os outros. Uma rede
estava iniciada e em pouco tempo - poucos meses - numa progressão
cósmica, nada geométrica, indiferente às leis da matemática - cientistas,
eruditos, acadêmicos de diversas áreas estavam envolvidos com o
Curso.
Logo, entre os seus participantes podia-se ver o Quem é Quem
dos exploradores da consciência. Universitários, catedráticos
do Instituto de Ciências Noéticas, gente da estirpe de Carl Simonton,
Gay Luce, Eleanor Criswell, além da Sociedade de Estudos Psíquicos
de Detroit, a Associação de Estudos para a Iluminação em Virginia,
a Fundação de Estudos Parapsicológicos na Universidade Duke. Todas
essas pessoas conheceram o Curso através de contato pessoal. E ele
se divulgava sem nenhum tipo de propaganda.
Foi um cientista da Califórnia chamado Ron Hawke quem primeiro me
falou do Curso. Em Dezembro de 1975, eu o entrevistava acerca de
um livro de minha autoria que fala de um curador paranormal. Naquele
tempo eu era colunista de um jornal nova-iorquino semanal de nome
The Village Voice.
Minha fama era de ser um crítico mordaz, cínico e diletante profissional
com toda a suspeita decorrente de tal fama. Por dois anos eu vinha
escrevendo a respeito de assuntos parapsicológicos. Já havia testemunhado
muita coisa estranha, e chegara ao ponto de descartar minha incredulidade
acerca da Percepção Extra-Sensorial (PES), psicocinese e experiências
fora do corpo.
Todavia, eu me achava numa situação curiosa. Do ponto de vista de
um antigo pesquisador científico todas aquelas coisas maravilhosamente
bizarras que me fascinaram no passado já estavam se tornando uma
conversa cansativa. "Sabe o que é que houve? É que para mim tudo
isso não passa de sidhis, como diriam os hindus, ou seja,
pequenos milagres. A maioria das religiões dirá "Se você passar
bastante tempo meditando, ou entoando cânticos, ou qualquer tipo
de disciplina espiritual, você começará a ouvir os pensamentos de
outras pessoas. Sim, você poderá até a começar a mover objetos com
o poder da sua mente. Mas não dê tanta atenção para isso. Não passam
de sidhis.
Por isso, disse eu, "o problema é que passei a buscar outras coisas.
Fiz cursos diversos, convivi com Swami Muktananda, pratiquei yoga,
estive com psicodélicos. Tenho lido o Zen, o Tao, e os Upanishades.
E minhas experiências têm demonstrado que somos algo além do que
parecemos ser." Ergui meu braço como se fosse um objeto inanimado.
"Eu me pergunto onde está a coisa verdadeira?"
"Você já ouviu falar de Um Curso em
Milagres?.
"Não", respondi. Soou como algo interessante.
"Bem, é algo que acho que te interessaria.
Pergunte a respeito para Judith
Skutch.
Em apenas dois dias depois, eu estava conversando com Jim Hickman
nos Laboratórios Dakin in São Francisco. Em sua escrivaninha vi
uma cópia do Livro "Um Curso em Milagres". Estava aberto numa lição
que dizia "Eu tenho dado a esta sala todo o significado que tem
para mim." O impacto foi estranho e ecoou por várias semanas no
meu cérebro.
Visitei Judith no dia seguinte e retornei a New York. Ela me relatou
a história bizarra do advento do Curso, me deu uma cópia do Livro,
e algumas folhas para eu xerocopiar. Poucos dias depois, ela me
convidaria para conhecer os doutores Ken Wapnick, Helen e William.
Estavam todos extremamente ansiosos - e petrificados - por estarem
vendo um jornalista. Falei-lhes de minha insatisfação com a parapsicologia,
e ocorreu-me de mencionar a respeito de um sonho que tiveram vários
meses antes.
Era um clássico sonho de transformação. Eu era um repórter investigativo
em uma convenção de embaixadores de todos os planetas do Universo.
Uma figura de aparência Crística passou por uma incrível transformação
em uma plataforma no meio de uma piscina cerimonial.
Diante de nossos olhos, ele se convertera em um avatar e recapitulara
a vida de cada santo, e criatura mitológica da história. Em seguida
transformou-se em animais fantásticos, e ainda em metamorfose e
finalmente transformou-se na mais incrível criatura marítima que
você puder imaginar, para em seguida sumir no meio do mar num sol
nascente incandescente. Essa versão é a resumida.
Quando terminei de contar-lhes a longa versão original, fui convidado
a unir-me ao seu grupo de estudos. Questionei abertamente a minha
preparação para ingressar em tal grupo.
A Dra. Helen virou-se pra mim e disse, "Bem, faça perguntas". Voltei-me
para dentro e disse para mim mesmo, "Como pude me envolver em tamanha
idiotice, maluquice como essa?" mas naquele instante um pensamento,
uma intuição, uma voz, vinha do mais recôndito da minha percepção.
"Você já está envolvido".
Comecei a ler o texto e a fazer as lições diárias poucos dias antes
da chegada do ano novo de 1976. O Curso, acima de tudo, é eminentemente
prático. Como disse John White, o Curso não invadiu nem na sua chegada,
nem na sua implementação. Acresce notar que a Dra. Helen jamais
recebeu o Curso em algum tipo de transe ou estado inconsciente.
Sua "voz" sempre lhe ditava as mensagens quando a Dra. estava completamente
acordada, sem jamais interferir em sua vida pessoal, social ou profissional.
Devo confessar que me vi atraído pelo Curso pelo mesmo motivo que
atraíra tanta gente: a alegação de ter sido ditado por Jesus. Alguns
estudiosos de outros caminhos lançavam suspeita sobre esta alegação,
algo como um terceiro testamento. Bem, nada como adquirir conceitos
religiosos diretamente do Chefe, pensei. Mas quando iniciei a trabalhar
com o material, as referências ao Cristo, ao Espirito Santo, e Deus,
quase me fizeram correr. Senti que dar qualquer nome a Deus era
blasfemo. Ou inexato pelo menos. Neste momento, quando estava prestes
a abrir mão de tudo, algo muito interessante aconteceu. Eu estava
copiando o livro de exercícios, quando uma lição em particular ficou
presa na copiadora. Era a lição 184, que dizia algo assim: "Tu vives
por símbolos, e criaste um nome para todas as coisas que vês. Usa
todos os pequenos nomes e símbolos que delineiam o mundo das trevas.
Mas não os aceite como a realidade. O Espírito Santo usa todos eles
mas não esquece que a Criação só tem um nome, um Significado e uma
única fonte que une todas as coisas dentro de si mesmo... Deus não
tem nome." Bem, isso tomou conta das minhas considerações lingüísticas.
Durante todo aquele ano em que estive com o Curso, lições igualmente
sincronizadas apareciam-me. Na verdade, é no envolvimento do Curso
com a vida das pessoas que elas geralmente se encontram, e acabam
se convencendo da genuinidade e eficácia do Curso.
A principio eu achei tudo isso bastante simples, e perfeitamente
adequado em relação às minhas experiências anteriores com a consciência.
Na lição 69, "Meu pesar oculta a luz do mundo", ao estudante pede-se
que encontre a luz brilhante dentro de si mesmo que está ocultando
as nuvens do universo particular de tristezas, ou como disse o Buda,
o sofrimento. Minha meditação trouxe-me para um lugar tranqüilo
dentro de minha consciência. De repente, os vapores se haviam dissipado
e eu via esta luz incrivelmente brilhante. Eu continuava tão irônico
e perspicaz quanto antes, mas tenho de admitir que estava impressionado
com a experiência. "Ei, isto até que é legal" disse para mim mesmo.
Enquanto isso meu corpo se enchia de crescente alegria.
Dali em diante, o que tudo significava? Luz? Imaginação? Coisas
assim surgiam quando me sentava para as meditações diárias. Então,
na lição 160, "Estou em casa. Aqui o medo é estranho," fui até o
teto!
Eu estava praticando minha lição às 3h da manhã. De repente senti
algo na base da minha espinha. Até então vinha ignorando essas sensações.
Julgava que a meditação deveria ser algo tranqüilo. Desta vez eu
disse, bem, seja o que for vou deixar fluir. Um sentimento de tremor,
de uma energia começou a surgir e atravessar o meu corpo pelas costas.
Era como se cada um dos pontos da minha espinha começara a pegar
fogo. Cada explosão era melhor do que os melhores orgasmos que eu
já tivera. Me senti voando. Pude perceber focos de eletricidade
naquilo que chamamos de chakras. Bem, isso deve ser o kundalini.
Então comecei a respirar fortemente, espontaneamente. Primeiro eu
sorria, depois chorava de êxtase enquanto todo meu corpo tremia.
Aquela chama se erguia até o topo da minha cabeça "isto faz o celibato
ser bastante agradável. Pouco depois coloquei-me diante de um grande
espelho. Meus olhos não conseguiam focalizar bem, e meu corpo parecia
sumir. Tudo o que eu podia ver era uma sombra envolvida de luz De
repente vi luzes se movendo dentro daquele contorno criando uma
figura que imediatamente reconheci como um o padrão de energia que
simbolizava meu ser. "Com certeza devo estar sonhando." Prestei
atenção que meia hora havia passado e fui para cama ainda cheio
de alegria inexprimível. Isso durou vários dias.
Bem aquilo tudo me pareceu bastante avançado. Meses depois comparei
o desenho que fiz do símbolo visto no espelho com outro símbolo
recebido anos antes pela doutora Helen em um tipo de visão que representava
um presente de seu guia espiritual. Jamais havíamos comparado-as
antes. Eram idênticas. Algumas semanas depois eu estava trabalhando
no Ashram de Swami Muktananda. De repente vi meu símbolo pendurado
na parede. Perguntei a um discípulo o que representava. " É apenas
o OM em Sânscrito.
Até então meu ego estava levando a melhor. Mas eu já havia tido
muitas evidências. Rapidamente me transformei em uma daquelas pessoas
malucas que amavam a todos e que perdoava que era uma beleza. E
se alguém me perguntasse se eu acreditava em Deus pela primeira
vez na minha vida eu dizia que sim. Minha concepção de Deus é bastante
confortável. Se aproxima bastante do conceito oriental de Deus dentro
de todos nós que compatibiliza-se com o que o Curso chama de "Expiação".
Finalmente fiz as pazes com conceito de Cristo. Como o próprio Curso
esclarece acerca da autoria de Jesus " O nome de Jesus Cristo por
si só é apenas um símbolo. Mas refere-se ao amor que não é deste
mundo. É um símbolo que é usado seguramente em substituição à todos
os nomes para os quais tu oras... Este Curso procede dele porque
suas palavras te atingiram em uma linguagem que podes amar e entender.
O nome de Jesus é o nome de um homem que viu a face de Cristo em
todos os seus irmãos e lembrou-se de Deus.
Ele é o Cristo? Oh sim, juntamente contigo". Minha compreensão do
Curso é de que todos somos parte de uma Filiação juntamente com
Deus. O Cristo é o reconhecimento de nossa divindade pessoal. Um
milagre é essa a experiência de reconhecimento. O perdão é o processo
através do qual reconhecemos. O Espirito Santo é o comunicador ou
professor interno, se você preferir, de nossa verdadeira identidade,
a qual é inevitavelmente una com Deus. Somos todos partes de Deus.
Simples não é? Bem será que agora ando por aí dando ouvidos a uma
voz que o Curso me ensinou a ouvir? As vezes. As vezes pergunto
e recebo uma resposta. Minha experiência mostra que Jesus é empedernidamente
judeu. As vezes me vêm como um cara sábio, mas freqüentemente com
senso de humor. Quando pergunto coisa do tipo "isto é real ?"escuto
" Precisa perguntar ?"
Ok falando sério. Se você optar por fazer este Curso sua experiência
será fantástica. Mas você ainda gostaria de saber do que o Curso
trata não é mesmo? Ótimo. Mas você não vai gostar. É a mesma velha
história que você tão bem conhece. Ama o teu próximo. O Curso
declara que todas as emoções, problemas, e todas as decisões giram
em torno da decisão entre o amor e o medo. Ou você ama, perdoa e
aceita, ou você teme, se ressente e nega. Em vez de tentar reformar
o mundo, ele enfatiza que você precisa mudar a si mesmo e também
a maneira como você vê o mundo. Pede que você se livre das mágoas
passadas quando estiver se relacionando com alguém. Neste sentido
o Curso é bastante Zen. Também nos pede que comecemos a amar uns
aos outros projetando amor nos outros e abrindo mão da ilusão de
que a pessoa que está atacando você é indigna de amor. Muitas pessoas
envolvidas com este Curso quando passaram por semelhante situação
alegam que funciona.
Um osso duro de roer, certo? bem, é por isso que o Curso existe.
Mas você precisa experimentá-lo para acreditar nele. E experimenta-lo
pessoalmente, para que a experiência de iluminação jamais negue
a verdade.
Um dos aspectos mais divertidos do Curso para mim, pelo menos que
eu sinto, é a indignação do autor. É comum eu achar que Jesus ditou
o Curso por estar totalmente frustrado com as citações equivocadas
da sua pessoa por tantos séculos, por termos entendido tudo errado,
a primeira vez, dois mil anos atrás. É insano julgar que seja necessário
morrer para ir ao Céu, diz o autor, pois você já está lá. Desperte!
Ou pegue por exemplo os comentários do Curso sobre a culpa, - certamente
um dos pilares das fés Católica e Judaica. "A culpa é a única coisa
que oculta o Pai, pois a culpa é o ataque contra o Seu Filho."
...Libertar-se da culpa é o desfazer completo do ego. Jamais
amedronte a ninguém, pois sua culpa é a tua, e por obedecer
os mandamentos insanos do ego, tu trazes sua condenação para ti
mesmo, e não poderás escapar da punição que ele oferece para os
que o obedecem. A meta do Curso é simplesmente a transformação total.
Minha vida parece agora como muitas outras., mas do meu ponto de
vista, passei por uma gigantesca metamorfose. Primeiramente, sinto
isso como uma perda do medo. Não sei para onde ele foi, mas há muitas
coisas que antes me preocupariam e que hoje não preocupam mais.
"Não há ordem de dificuldades em milagres. Um não é mais difícil
nem maior do que o outro. Todos são a mesma coisa. Todas as expressões
do amor são máximas." Estas foram as primeiras instruções recebidas
pela Dra. Helen. Comecei a ver este principio em ação em minha vida.
Um milagre é basicamente a percepção , a adequação , a lição sobre
como as coisas são - ilusões a serem corrigidas. "O Espírito está
em estado de graça para sempre". Esta é a maneira como o Curso apresenta
o seu fundamento. Portanto é fácil - e natural - operar milagres.
E de onde vieram todas as ilusões que percebemos? O Curso explica
que o que vemos como a realidade é a criação do ego. Como resultado,
sentimos culpa por nos termos cortado daquilo que realmente somos.
Pegamos então nossa culpa e construímos mais ilusões na forma de
julgamentos, considerações e enfim, medo. Medo da vida, medo da
morte, medo de reconhecer a nossa própria natureza.
A medida que o Curso instrui a mudar a percepção, a seção final
é dedicada ao desenvolvimento da habilidade do indivíduo de experimentar
o "Instante Santo", ou seja, o deixar ir da nossa realidade percebida,
e através do perdão, amor e expiação, criarmos momentos de transformação
que nos possibilitam a ver a verdade. É isto. Milagre.
Isto tudo é vago, esta tentativa de resumir o Curso, que de forma
nenhuma descreve sua riqueza, conteúdo e eloquência. Em sua inteireza
ele não só explica o espectro total da condição humana, como também
permite à pessoa experimentar estes insights para si mesmo,
de uma maneira lógica e lúcida.
Surpreendentemente, o Curso também foge da arrogância de supor ser
ele o único caminho para a iluminação. "há outros professores com
a possibilidade de conduzir ao caminho aqueles que falam línguas
diferentes e respondem à símbolos diferentes? Claro que sim. Será
que Deus abandonaria a quem quer que seja sem um auxílio presente
num momento de dificuldade, um salvador que pode simbolizar a Ele
mesmo? Cristo assume muitas formas com nomes diferentes até que
a unidade possa ser reconhecida", diz o Manual.
Para onde vai tudo isso? Qual o futuro do Curso? Fiz esta pergunta
certa vez a Judy Skutch.
"Só Deus sabe", riu ela. Acho que se pensasse a respeito ficaria
assustada. Com certeza ele vai ao encontro dos que o estão buscando.
Faremos o que for preciso até este momento. Cada um de nós tem um
papel. Ele preenche uma lacuna para aqueles que buscam diferentes
caminhos espirituais. É para os que estão à vontade com este tipo
de trabalho. Não o vejo como um movimento das massas, ou como um
culto ou teologia. Vejo-o como mais uma ferramenta para o desenvolvimento
espiritual."
É assim que finalmente vim a entender Um Curso em Milagres. Há muitos
caminhos que nos levam à montanha da iluminação. Todos conduzem
ao mesmo ponto. Esta é apenas uma das trilhas. Lembre-se que o único
lugar a partir do qual você deve começar sua trilha é lá debaixo
novamente. Iluminação, me disseram, é realmente uma questão de humildade.
Só lhe compete saber que você já é iluminado agora e sempre e tão
não iluminado como jamais será também. Portanto vá em frente.
Viva a sua perfeição Agora.
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